quarta-feira, 13 de abril de 2016

Efeitos do Jejum Intermitente no metabolismo humano.

O jejum tem sido praticado há milênios por povos ao redor de todo o globo, mas só recentemente, estudos têm lançado uma luz sobre o seu papel nas respostas celulares adaptativas que reduzem o dano oxidativo e inflamação, otimizam o metabolismo energético e reforçam a proteção celular. De acordo com pesquisadores americanos do National Institute of Health e da University of Southern California, em animais inferiores, o jejum crônico estende a longevidade, em parte, através da reprogramação do metabolismo e vias de resistência ao estresse. Em roedores o jejum intermitente ou periódico protege contra diabetes, câncer, doenças do coração e neurodegenerativas, enquanto nos seres humanos ajuda a reduzir a obesidade, a hipertensão, asma, e artrite reumatóide. Deste modo, o jejum intermitente tem o potencial para retardar o envelhecimento e ajudar a prevenir e tratar doenças.,
Obesidade e Diabetes
Uma revisão bibliográfica realizada por pesquisadores da Escola de Medicina da USP, em 2013, fez uma análise de dados disponíveis na literatura sobre o impacto do jejum intermitente, uma modalidade de intervenção nutricional, em diferentes aspectos do metabolismo. A epidemia de anormalidades metabólicas, como obesidade, síndrome metabólica e diabetes mellitus tipo 2, tem ocasionado um aumento na prevalência de doenças cardiovasculares, condições em que os indivíduos afetados apresentam importantes melhorias advindas da modificação nos hábitos alimentares. Estudos experimentais recentes têm elucidado a modulação do metabolismo por jejum intermitente. Testes com animais têm mostrado alterações positivas no metabolismo glicídico (valores menores de glicemia e insulinemia) e lipídico (redução no volume de gordura visceral e aumento nos valores de adiponectina plasmática), além de uma maior resistência ao estresse. Apesar dos estudos disponíveis apresentarem populações muito reduzidas, observaram-se resultados positivos com esta intervenção também na saúde humana. Os resultados indicam melhorias no perfil lipídico, redução de respostas inflamatórias, com redução na liberação de adipocinas inflamatórias e alterações na expressão de genes relacionados com a resposta inflamatória e de outros fatores. O jejum aumenta a oxidação lipídica durante o exercício submáximal em atletas treinados. A utilização da gordura aumentada pode estar relacionada à diminuição da massa e gordura corporal.
Em indivíduos obesos observou-se uma melhor adesão ao jejum intermitente em relação às intervenções tradicionais (restrição calórica), além da redução no estresse oxidativo desta população. Dessa maneira, os pesquisadores acreditam que por se tratar de uma intervenção viável e acessível para a maioria dos indivíduos, novos estudos clínicos são necessários para testar a eficácia desta intervenção na prevenção e no controle de doenças metabólicas e cardiovasculares.
Câncer
Em outro estudo, publicado neste ano de 2015, pesquisadores da VU University of Amsterdam e daUniversity of Manchester, constataram que a concentração de glicose no sangue pode ser reduzida em 20-40% durante o jejum intermitente. Calcularam que o fornecimento de glicose às células tumorais anóxicas potencialmente perigosas pode assim, ser significativamente reduzido resultando em morte celular, especificamente destas células. Células anóxicas são dependentes de degradação anaeróbica da glicose para geração de ATP e são perigosas, pois induzem a angiogênese, despertando o tumor dormente. Dessa forma, o jejum intermitente pode ajudar a reduzir a incidência de recaída tumoral através da redução do número de células tumorais anóxicas e consequentemente, o “despertar” do tumor.
Saúde cerebral
O efeito do jejum intermitente no humor foi estudado por pesquisadores da Université Montpellier e da University Paris-Est. Eles descobriram que o jejum é frequentemente acompanhado por um aumento do nível de vigilância e uma melhora do humor, uma sensação subjetiva de bem-estar, e às vezes de euforia. O jejum terapêutico, seguindo um protocolo estabelecido, é seguro e bem tolerado. Muitos mecanismos neurobiológicos têm sido propostos para explicar os efeitos sobre o humor em jejum, tais como alterações em neurotransmissores, qualidade do sono, e síntese de fatores neurotróficos. Muitas observações clínicas relacionam um efeito no início do jejum (entre o 2º. e o 7º. dia) sobre os sintomas depressivos com uma melhora no humor, estado de alerta e uma sensação de tranquilidade relatada pelos pacientes.
A vulnerabilidade do sistema nervoso com o avanço da idade é muitas vezes manifestada em doenças neurodegenerativas, como as doenças de Alzheimer e de Parkinson. Em um artigo de revisão, cientistas do National Institute on Aging Intramural Research Program, USA, descrevem evidências sugerindo que duas intervenções dietéticas, restrição calórica (RC) e jejum intermitente (JI), podem prolongar a saúde do sistema nervoso, ao impactar as vias metabólicas e de sinalização celular, vias fundamentais que regulam o tempo de vida.  A RC e o JI afetam a energia e o metabolismo dos radicais de oxigênio e os sistemas de resposta ao estresse celular, de forma a proteger os neurônios contra fatores genéticos e ambientais, que de outra forma, sucumbiriam durante o envelhecimento. Existem várias vias interativas e mecanismos moleculares pelos quais a RC e o JI beneficiam os neurônios, incluindo as que envolvem sinalização semelhante à da insulina, fatores de transcrição FoxO, sirtuínas e receptores ativados pelo proliferador de peroxissomo (PPAR). Estas vias estimulam a produção de proteínas chaperonas, fatores neurotróficos e enzimas antioxidantes, todos os quais ajudam as células a lidar com o estresse e resistir à doenças. Uma melhor compreensão do impacto da RC e JI sobre o envelhecimento do sistema nervoso provavelmente conduza à novas abordagens para a prevenção e tratamento de doenças neurodegenerativas.
PPARs
Qualquer medida em relação a nossa dieta deve ser orientada por um profissional de nutrição e com devido acompanhamento médico. Pessoas com pouca quantidade de massa muscular, sensibilidade a insulina, usuárias antinconcepcionais hormonais  e mulheres na menopausa sem tratamento hormonal,  podem não se beneficiar do jejum, pois a perda de massa muscular pode ser preponderante nestas situações.
Além disso, o jejum  é uma forma segura e natural de liberar hormônio do crescimento, hormônio essencialmente queimador de gordura.
Referências
A reason for intermittent fasting to suppress the awakening of dormant breast tumors.
Fasting: Molecular Mechanisms and Clinical Applications.
Caloric restriction and intermittent fasting: two potential diets for successful brain aging.
Effect of Ramadan fasting on fuel oxidation during exercise in trained male rugby players.
Efficacy of fasting calorie restriction on quality of life among aging men.
Intermittent fasting vs daily calorie restriction for type 2 diabetes prevention: a review of human findings.
Intermittent versus daily calorie restriction: which diet regimen is more effective for weight loss?
Fasting for weight loss: an effective strategy or latest dieting trend?
Improvements in body fat distribution and circulating adiponectin by alternate-day fasting versus calorie restriction.
Modified alternate-day fasting and cardioprotection: relation to adipose tissue dynamics and dietary fat intake.
Effects of intermittent fasting on metabolism in men.
Intermittent fasting modulates IgA levels in the small intestine under intense stress: A mouse model
Caloric restriction and intermittent fasting alter hepatic lipid droplet proteome and diacylglycerol species and prevent diabetes in NZO mice.
http://www.robertofrancodoamaral.com.br/blog/alimentacao/efeitos-do-jejum-intermitente-no-metabolismo-humano/

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