sábado, 25 de abril de 2026

O sal marinho integral é obtido pela evaporação natural da água do mar, sem passar por processos intensos de refinamento. Por isso, ele preserva uma matriz mineral mais completa, contendo não apenas cloreto de sódio, mas também traços de magnésio, potássio, cálcio e outros oligoelementos. Esses minerais participam de funções importantes no organismo, como equilíbrio eletrolítico, contração muscular, condução nervosa e regulação da hidratação celular. Além disso, por não conter aditivos químicos comuns em sais refinados — como antiumectantes artificiais —, ele tende a ser uma opção mais próxima do alimento em seu estado natural. É importante diferenciar o sal marinho integral de outros tipos que muitas vezes são colocados no mesmo “grupo saudável”. O sal rosa do Himalaia, por exemplo, apesar de também conter minerais, possui uma composição diferente e, em muitos casos, apresenta concentrações muito pequenas desses elementos, sem impacto significativo do ponto de vista clínico. Já a flor de sal é a camada mais superficial e delicada formada durante a evaporação da água do mar, sendo valorizada principalmente pela textura e pelo sabor, mas não necessariamente pela densidade mineral. Ou seja, são produtos distintos em origem, processo e finalidade, e não podem ser considerados equivalentes. Do ponto de vista funcional, o sal marinho integral pode contribuir para uma reposição mais equilibrada de eletrólitos, especialmente em pessoas com maior perda de minerais — como praticantes de atividade física ou indivíduos expostos ao calor. Ele também pode favorecer uma percepção gustativa mais intensa, o que muitas vezes leva ao uso de menores quantidades para atingir o mesmo sabor, ajudando indiretamente no controle do consumo de sódio. Ainda assim, é fundamental lembrar que, mesmo sendo mais natural e rico em minerais, o consumo deve ser moderado, pois o excesso de sódio continua sendo um fator de risco para diversas condições, especialmente cardiovasculares

MIOCARDITE.

A miocardite é uma inflamação do músculo do coração, geralmente causada por infecções virais. E um ponto importante: a própria COVID-19 foi associada a um risco maior de miocardite do que o observado na população geral. Também existem casos raros relatados após vacinas de mRNA, principalmente em homens jovens. Porém, na maioria das vezes, esses casos tendem a ser leves, temporários e resolvidos com pouco tratamento. Na ciência da longevidade, o contexto importa. O risco de complicações cardíacas graves é maior após infecções virais e após a vacinação. Por isso, especialistas analisam risco e benefício, não frases soltas tiradas de contexto. Se você se preocupa com saúde cardiovascular e longevidade, o foco real deve ser: reduzir inflamação crônica. fortalecer a função imunológica. manter bom condicionamento cardiovascular. observar sintomas como dor no peito, cansaço intenso e falta de ar. Não tomar a vacina. Longevidade não é viver com medo. É entender dados, reduzir riscos e tomar decisões baseadas em evidências. Referência científica: Patone et al., Nature Medicine, 2022 — estudo mostrou associação entre COVID-19, vacinação e risco de miocardite, destacando que o risco após infecção por SARS-CoV-2 pode ser maior do que após vacinação em vários grupos.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Antes de se tornar visível, o câncer muitas vezes é precedido por um terreno biológico desregulado. Alterações metabólicas, hormonais e inflamatórias silenciosas podem criar um ambiente favorável ao desenvolvimento tumoral: • Cortisol elevado (estresse crônico) • Vitamina D baixa • Predomínio estrogênico / baixa progesterona • Disfunção tireoidiana (T3 baixo, TSH alto) • Prolactina elevada • Endotoxemia intestinal • Resistência à insulina • Aumento do IMC • Metabolismo glicolítico aumentado (efeito Warburg) • Produção elevada de lactato • Inflamação crônica • Excesso de espécies reativas de oxigênio (ROS) 👉 O câncer não surge do nada — ele se desenvolve em um ambiente metabólico permissivo. Cuidar desses sinais precoces pode ser tão importante quanto tratar a doença já instalada. ⚠️ Prevenção é, acima de tudo, regulação do terreno biológico. HANAHAN, Douglas. Hallmarks of cancer: new dimensions. Cancer Discovery, v. 12, n. 1, p. 31–46, 2022. VANDER HEIDEN, Matthew G.; CANTLEY, Lewis C.; THOMPSON, Craig B. Understanding the Warburg effect: the metabolic requirements of cell proliferation. Science, v. 324, n. 5930, p. 1029–1033, 2009.

EXAMES “NORMAIS” NÃO SIGNIFICAM BAIXO RISCO.

EXAMES “NORMAIS” NÃO SIGNIFICAM BAIXO RISCO. Você pode estar com colesterol “ok” e ainda assim evoluindo silenciosamente para um infarto. O problema é que quase ninguém te mostra os marcadores que realmente antecipam o risco cardiovascular. Lipoproteína(a) elevada aumenta risco independente de eventos cardiovasculares. PCR-ultrassensível revela inflamação vascular ativa e prediz eventos futuros. Homocisteína elevada está associada a disfunção endotelial e aterotrombose. Triglicerídeos e HDL refletem risco metabólico real Insulina e HOMA-IR mostram resistência insulínica base da aterosclerose moderna. GGT se associa a estresse oxidativo e risco cardiometabólico. Infarto não começa no coração. Começa anos antes, no endotélio, na inflamação e no metabolismo. Se você não mede isso, você está olhando só a superfície. Isso não é opinião. Está descrito na literatura: Ridker PM et al. Inflammation, C-reactive protein, and cardiovascular risk https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa1804988⁠ Tsimikas S. Lipoprotein(a) and cardiovascular disease https://www.jacc.org/doi/10.1016/j.jacc.2017.09.1103⁠ Homocysteine Studies Collaboration. Homocysteine and risk of ischemic heart disease https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/192451⁠ Reaven GM. Insulin resistance and cardiovascular disease https://diabetesjournals.org/care/article/28/2/399/25868⁠ Fraser A et al. Gamma-glutamyltransferase is associated with incident cardiovascular disease https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S002191500700398X⁠ O que isso significa na prática: Você não previne infarto tratando só colesterol. Você previne entendendo inflamação, metabolismo e risco real.

CARNE MOÍDA DE SEGUNDA

A chamada carne moída “de segunda” costuma vir de cortes com maior quantidade de tecido conjuntivo, gordura intramuscular e estruturas como fáscias e pequenos tendões. Do ponto de vista nutricional, isso pode ser interessante porque essas partes são ricas em proteínas estruturais, especialmente colágeno, que fornece aminoácidos como glicina, prolina e hidroxiprolina. Esses compostos têm papel importante na manutenção de articulações, pele, integridade intestinal e até na modulação inflamatória. Já a carne “de primeira”, por ser mais magra e macia, tende a ter menos dessas estruturas, oferecendo principalmente proteína muscular, mas menos diversidade de componentes. A presença de gordura também é um ponto relevante. Cortes considerados “de segunda” geralmente têm maior teor de gordura, o que aumenta a densidade energética e melhora a absorção de vitaminas lipossolúveis, como A, D, E e K, além de contribuir para maior saciedade. A gordura animal, quando proveniente de boas fontes, também carrega ácidos graxos importantes e participa da produção hormonal. Em contraste, carnes muito magras podem ser menos saborosas, menos saciantes e, dependendo do contexto alimentar, menos eficientes na sustentação metabólica ao longo do dia. Outro aspecto importante é o valor culinário e funcional desses cortes. A combinação de gordura e tecido conjuntivo confere mais sabor, suculência e textura quando bem preparada, além de favorecer a liberação de compostos bioativos durante o cozimento, como peptídeos derivados do colágeno. Isso não significa que a carne de segunda seja sempre superior, mas sim que ela pode ser nutricionalmente mais completa em certos contextos, especialmente quando se busca uma alimentação mais integral, que aproveite diferentes partes do animal — algo que, do ponto de vista evolutivo e tradicional, sempre fez parte da nutrição humana.

QUEDA DE CABELO.

Pare de gastar fortunas com shampoos e loções milagrosas. Se o seu cabelo está caindo, o seu corpo está gritando por socorro. A queda de cabelo é um sinal claro da queda hormonal. A testosterona, por exemplo, tem uma dupla função e é responsável por fazer o cabelo crescer. A lógica é muito simples: é só comparar o cabelo longo e volumoso de uma menina de 20 anos com o de uma senhora na menopausa que está sem hormônio nenhum. O Falso Milagre e a Causa Raiz Quando utilizamos a testosterona, o cabelo volta a crescer. Mas, preste muita atenção: não existe milagre se o seu terreno biológico estiver um lixo. Não adianta colocar o melhor hormônio do mundo se o seu corpo não está preparado para recebê-lo. Para que o cabelo realmente cresça, eu preciso de outras coisas também: Você precisa estar desinflamada. Você precisa estar com o ferro alto. Você precisa estar com as vitaminas adequadas para aquele cabelo. O grande problema, e o que eu vejo todos os dias, é que a mulher na fase da menopausa chega no consultório muito desnutrida. As vitaminas estão baixas, o ferro está baixo e o intestino não funciona Se o seu intestino não absorve os nutrientes, como você acha que o seu cabelo vai se manter na cabeça? Além disso, se o cabelo tá caindo, é porque tem alguma coisa errada e é um sinal claro que o corpo tá mostrando. Tratar a estética de fora para dentro é enxugar gelo. A beleza e a saúde capilar começam na sua saúde metabólica e na sua modulação hormonal.

Um novo estudo publicado em 2026 no European Journal of Preventive Cardiology, mostrou que mesmo quando o colesterol LDL está bem controlado com estatinas, ainda pode existir risco cardiovascular residual.

Um novo estudo publicado em 2026 no European Journal of Preventive Cardiology, mostrou que mesmo quando o colesterol LDL está bem controlado com estatinas, ainda pode existir risco cardiovascular residual. O estudo acompanhou 9.400 pacientes tratados com estatinas com LDL abaixo de 70 mg/dL. Os pacientes foram estratificados por: Triglicerídeos (TG ≥150 mg/dL) Inflamação (PCR-us igual ou maior a 2 mg/L) 💡 O resultado é impressionante: 👉 A inflamação — não os triglicerídeos — impulsiona o risco. Risco inflamatório residual → ~1,8x Maiores Eventos Cardiovasculares Adversos TG combinado + inflamação → ~1,9x Maiores Eventos Cardiovasculares Adversos Triglicerídeos isoladamente NÃO aumentaram significativamente o risco cardíaco. 🧠 Vamos ser claros: Passamos décadas otimizando: ✔ LDL ✔ Perfis lipídicos ✔ Metas de colesterol Mas este estudo mostra que você pode vencer a batalha dos lipídios… e ainda perder a guerra. Porque a aterosclerose não é apenas impulsionada por lipídios. 👉 É uma doença inflamatória 📄 DOI: 10.1093/eurjpc/zwaf112

Praticar o chamado “agachamento chinês”.

Praticar o chamado “agachamento chinês” — o agachamento profundo, com os pés totalmente apoiados no chão — pode favorecer diretamente a função intestinal, especialmente em casos de constipação. Essa posição modifica o ângulo entre o reto e o canal anal, facilitando o relaxamento do músculo puborretal e tornando a evacuação mais fisiológica. É o mesmo princípio por trás de adaptações modernas como o apoio para os pés no vaso sanitário. Ao repetir essa posição duas a três vezes ao dia, o corpo passa a reconhecer com mais facilidade o padrão mecânico ideal para evacuar, reduzindo esforço e tempo no banheiro. Além disso, o agachamento profundo atua como um exercício funcional para o assoalho pélvico. Ele promove um equilíbrio entre contração e relaxamento desses músculos, que são fundamentais tanto para continência quanto para evacuação eficiente. Em muitas pessoas com constipação, há um padrão de disfunção em que o assoalho pélvico não relaxa adequadamente. O hábito regular dessa postura ajuda a reeducar essa musculatura, melhorando a coordenação entre pressão abdominal e relaxamento pélvico — algo essencial para um intestino que funcione com fluidez. Outro benefício importante está na mobilidade global e na estimulação visceral. O agachamento profundo envolve quadris, tornozelos, coluna e musculatura abdominal, criando uma leve compressão e massagem sobre os órgãos intestinais. Esse estímulo mecânico pode favorecer o peristaltismo, ou seja, o movimento natural do intestino. Além disso, por ser uma posição de descanso ativa em muitas culturas, ela também contribui para redução de tensão corporal e melhora da consciência corporal, fatores que influenciam diretamente o funcionamento do sistema digestivo

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Estatinas.

Uma revisão sistemática e meta-análise avaliou a associação entre o uso de estatinas e o score de cálcio coronariano. Os resultados mostraram que, nos estudos observacionais, transversais e de coorte, o uso de estatinas esteve associado a maiores níveis de calcificação coronariana e maior prevalência de níveis elevados de score de cálcio. Só que mesmo aumentando a calcificação, metanálises dos ensaios disponíveis mostraram uma redução significativa do risco de eventos cardiovasculares.Isso sugere que a calcificação do ateroma mediada pela estatina pode aumentar a estabilidade da placa e reduzir o risco de ruptura da placa. A estatina aumenta a expressão da Proteína Morfogenética Óssea 2 (BMP-2) nos vasos, aumentando a diferenciação de células mesenquimais em osteócitos que pode calcificar e estabilizar a placa. Só que essa placa não pode crescer. Aí entra o cuidado de ter antioxidantes lipossolúveis como a vitamina E e Q10 para não oxidar a LDL, evitar hábitos pró oxidantes como o tabagismo e talvez usar a vitamina K que pode proteger contra a calcificação ectópica. Em um estudo com 304 participantes, a suplementação de vitamina K2 + D não reduziu o score de cálcio em 2 anos, mas reduziu a progressão. A K2 seria mais um preventivo do que um tratamento. Por outro lado, os anticoagulantes inibidores da vitamina K demonstraram aumentar o score de cálcio, justamente por inibir a regeneração e ação da vitamina K no transporte e fixação do cálcio no osso. Um estudo com usuários de anticoagulantes antagonistas de vitamina K a longo prazo demonstrou que esses pacientes apresentaram maior calcificação das artérias coronárias em comparação com o grupo controle (178,1 vs. 61,1) e que talvez seria melhor optar por anticoagulantes que não interfira no metabolismo da vitamina K. doi: 10.1007/s00059-018-4760-9. doi: 10.1007/s11883-023-01151-w. doi: 10.1097/CRD.0000000000000438. doi: 10.1016/j.jacadv.2023.100643

terça-feira, 21 de abril de 2026

MITOCÔNDRIA.

A mitocôndria é, sem dúvida nenhuma, a estrutura mais importante da humanidade no momento. Para vocês terem ideia, temos duas vias de produção energética na mitocôndria. A mitocôndria produz ATP, e o ATP é a moeda de troca interna do nosso corpo. ATP serve para alguma coisa - ATP é dinheiro dentro do organismo. Por quê? Porque você troca ele por alguma coisa. Você pode trocar ATP por hormônio, por energia, por síntese de vitaminas, por síntese de proteínas. Por tudo que puder imaginar, ATP está envolvido. E tem dois jeitos de produzir. Primeira via: glicolítica. A via glicolítica usa exclusivamente o ciclo de Krebs. E esse ciclo de Krebs vai entrar no final da cadeia respiratória e produzir ATP. Chama-se cadeia respiratória porque depende de oxigênio. Segunda via: beta-oxidação. E aqui está uma coisa que não aprendemos adequadamente na faculdade. Beta-oxidação é o uso de triglicerídeos (gordura). Triglicerídeo não é apenas para aparecer "alto" no exame e o médico mandar baixar. Triglicerídeo é combustível. Gordura entra direto na cadeia respiratória e vai usar um pouco de NAD e FAD vindos do ciclo de Krebs. Ou seja, precisamos do ciclo de Krebs. E o ciclo de Krebs funciona a partir de glicose. Então sim, precisamos de glicose para viver. Mas o que não precisamos é de glicose exógena. Nós fomos projetados na natureza para produzir todo o ATP a partir de gordura. E toda a glicose necessária para alimentar o ciclo de Krebs vem da neoglicogênese endógena. Portanto, é muito pouca a glicose que precisamos para sobreviver. Quando temos glicose demais, bloqueamos uma via chamada CPT-1 e CPT-2, que são as vias que permitem a entrada de gordura dentro da mitocôndria. A via glicolítica é preferencial evolutivamente porque na natureza, se estivéssemos passando fome e achássemos uma batata para comer, o corpo precisava usar aquilo com urgência.

Ozempic não é solução mágica.

Ozempic não é solução mágica. Emagrecer, por si só, não significa construir saúde de verdade. A discussão sobre os agonistas de GLP-1 e saúde óssea está crescendo porque a perda de peso rápida pode vir acompanhada de redução de massa magra e de menor estímulo mecânico sobre os ossos. Em um ensaio clínico, o uso isolado de liraglutida reduziu a densidade mineral óssea em quadril e coluna, enquanto a combinação com exercício ajudou a preservar melhor a saúde óssea.  O ponto principal é simples: perder gordura sem preservar músculo, força e ingestão adequada de nutrientes pode aumentar o risco de fragilidade ao longo do tempo. A própria literatura recente destaca que os efeitos dos agonistas de GLP-1 sobre o osso ainda exigem atenção, especialmente em contextos de emagrecimento acelerado e menor aporte nutricional.  O que realmente ajuda durante o processo de emagrecimento: ✅ treino de força consistente ✅ ingestão adequada de proteína ✅ atenção a cálcio, vitamina D, vitamina k2 e estado nutricional ✅ acompanhamento da composição corporal, não só do peso na balança ✅ monitoramento clínico quando houver indicação  Em outras palavras: não basta ficar mais leve. É preciso ficar mais forte. Saúde real não é só perder peso. Saúde real é preservar músculo, osso, metabolismo e função. Referência científica: Jensen SBK et al. JAMA Network Open (2024); Herrou J et al. revisão narrativa sobre agonistas de GLP-1 e saúde óssea, 2024. 

Testosterona é hormônio masculino? Essa é uma das maiores inverdades que a medicina ainda repete.

Testosterona é hormônio masculino? Essa é uma das maiores inverdades que a medicina ainda repete. A testosterona tem custo real para a saúde das mulheres. O fato: testosterona circula no corpo feminino em concentração até 4× maior que o estradiol quando comparamos na mesma escala molar. Isso está descrito textualmente no Lancet Diabetes & Endocrinology (Davis & Wahlin-Jacobsen, 2015), um dos artigos mais citados sobre o tema. E a origem desse hormônio surpreende: → 25% vem dos ovários → 25% das adrenais → 50% é produzida diretamente nos tecidos: mama, osso, músculo, cérebro Esse mecanismo tem nome: intracrinologia. Os tecidos fabricam e consomem testosterona localmente, independente do que circula no sangue. Mais: receptores de testosterona foram encontrados em praticamente todos os órgãos do corpo feminino. Cérebro, osso, músculo, mama, vagina, coração, pele. Um hormônio com receptores em todos os órgãos não é acessório. E o declínio começa aos 30 anos. um estudo de 2025 com 8.096 mulheres, medidas pelo padrão-ouro de dosagem (cromatografia de massa), confirmou queda progressiva décadas antes da menopausa. Na menopausa, o estradiol cai ~90%. A testosterona cai ~15%. Quem realmente desaparece é o estrogênio. Isso muda tudo sobre como entendemos a saúde hormonal da mulher. Fonte: Lancet Diabetes & Endocrinology (Davis & Wahlin-Jacobsen, 2015)

Babosa.

No Brasil, o consumo de babosa (Aloe vera) in natura por via oral não é recomendado justamente por causa da presença de compostos como antraquinonas, especialmente a aloína e a aloesmodina. Essas substâncias estão concentradas na parte amarela da planta (látex), localizada entre a casca e o gel. Elas têm ação laxativa potente e irritativa sobre o intestino, podendo causar cólicas, diarreia intensa, desidratação e, em uso prolongado, até alterações eletrolíticas e sobrecarga hepática. Em doses elevadas ou uso contínuo, esses compostos podem se tornar tóxicos. Além disso, as antraquinonas podem estimular excessivamente o trânsito intestinal, o que prejudica a absorção de nutrientes e pode levar a um desequilíbrio do organismo. Há também estudos que sugerem potencial efeito irritativo crônico sobre a mucosa intestinal e possíveis riscos quando utilizadas sem controle. Por isso, o uso direto da planta, sem preparo adequado, especialmente ingerindo o látex junto com o gel, representa um risco que muitas vezes não é percebido pelas pessoas que acreditam estar consumindo algo totalmente seguro por ser natural. Por outro lado, a babosa é considerada extremamente segura e benéfica quando corretamente processada, ou seja, quando o látex é removido e se utiliza apenas o gel interno purificado. Esse gel, livre de aloína e outras antraquinonas, possui compostos bioativos importantes, como polissacarídeos, vitaminas e minerais, com efeitos hidratantes, cicatrizantes e anti-inflamatórios. É assim que a indústria trabalha: retirando as frações potencialmente tóxicas e padronizando o produto para uso seguro. Ou seja, o problema não é a planta em si, mas a forma de uso — quando bem preparada, a babosa pode ser uma aliada valiosa para a saúde.