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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

O que não te contam sobre doenças Erradicadas.

O que não te contam sobre doenças Erradicadas. . Será que as doenças realmente somem ou apenas mudam de nome? Neste vídeo, te conto como o sistema de saúde lida com diagnósticos e notificações. . Falo especificamente sobre o caso da filariose e sobre como algumas condições atuais, como o lipedema, podem ter conexões históricas e biológicas que muita gente desconhece. . Entender essas relações ajuda a enxergar o que acontece nos bastidores do sistema de saúde e por que certos problemas continuam sendo pouco discutidos. . Já tinha ouvido falar sobre esse bloqueio de notificações?

Os probióticos são um dos temas mais revolucionários, mais fascinantes e mais transformadores da ciência nutricional moderna.

Os probióticos são um dos temas mais revolucionários, mais fascinantes e mais transformadores da ciência nutricional moderna. Em menos de duas décadas, a compreensão científica sobre as bactérias que habitam o nosso intestino passou de curiosidade marginal a uma das áreas de pesquisa mais promissoras da medicina — com milhares de estudos publicados e descobertas que estão mudando completamente a forma como entendemos a saúde, a doença e o bem-estar humano. 🦠✨ O intestino humano abriga aproximadamente 39 trilhões de microrganismos — um número que supera o total de células humanas do organismo. Esse ecossistema microscópico extraordinário — chamado de microbioma intestinal — é hoje reconhecido pela ciência como um verdadeiro órgão, com funções que vão muito além da digestão. Ele regula a imunidade, influencia o humor e a saúde mental, participa do metabolismo hormonal, controla a inflamação sistêmica e se comunica diretamente com o cérebro através do nervo vago. 💛🌿 Os probióticos — do grego e latim "pró vida" — são microrganismos vivos que, quando consumidos em quantidades adequadas, conferem benefícios comprovados à saúde do hospedeiro. Eles habitam principalmente o intestino grosso e trabalham em conjunto com as bactérias residentes para manter o equilíbrio do microbioma — o que os cientistas chamam de eubiose. Quando esse equilíbrio se perde — condição chamada de disbiose — as consequências se manifestam em praticamente todos os sistemas do organismo. Veja em detalhes o que os probióticos fazem pelo seu organismo: 🌿 Intestino — O intestino é o habitat natural dos probióticos — e é onde seus efeitos são mais imediatos, mais visíveis e mais bem documentados. Ao se instalar no intestino, as cepas probióticas competem com bactérias patogênicas por espaço e nutrientes, inibem sua proliferação através da produção de ácidos orgânicos e bacteriocinas, e restauram o equilíbrio do microbioma. Produzem ácidos graxos de cadeia curta — especialmente o butirato — que nutrem as células do cólon e fortalecem a barreira intestinal. Reduzem a permeabilidade intestinal que causa o intestino permeável. E regulam o peristaltismo, contribuindo para um trânsito intestinal mais regular. Estudos clínicos mostram benefícios consistentes para síndrome do intestino irritável, doença inflamatória intestinal, constipação, diarreia associada a antibióticos e disbiose. 🦠 Imunidade — A conexão entre intestino e imunidade é uma das descobertas mais extraordinárias da imunologia moderna — e os probióticos estão no centro dessa revolução científica. Aproximadamente 70% de todo o sistema imunológico do corpo humano está localizado no intestino — no tecido linfoide associado ao intestino (GALT). Os probióticos interagem diretamente com as células imunológicas desse tecido, modulando a resposta imune de forma inteligente e equilibrada. Eles estimulam a produção de IgA secretória — o principal anticorpo das mucosas. Ativam células NK e macrófagos. E regulam o equilíbrio entre células Th1, Th2 e Th17 que previne tanto infecções quanto processos autoimunes. Estudos mostram redução significativa da frequência e duração de infecções respiratórias e intestinais com o uso regular de probióticos. 🧠 Cérebro — O eixo intestino-cérebro é uma das fronteiras mais fascinantes e mais promissoras da neurociência moderna. O intestino e o cérebro se comunicam bidirecionalmente através do nervo vago, de neurotransmissores produzidos pela microbiota e de metabólitos que circulam pelo sangue. Essa comunicação é tão intensa que o intestino é chamado de "segundo cérebro" — com mais de 500 milhões de neurônios. Os probióticos influenciam essa comunicação de formas extraordinárias: aproximadamente 90% da serotonina — o neurotransmissor do bem-estar — é produzida no intestino por células enteroendócrinas que dependem da microbiota. Cepas específicas de Lactobacillus e Bifidobacterium demonstraram em estudos clínicos redução significativa dos escores de ansiedade e depressão. E o GABA — o principal neurotransmissor inibitório — também é produzido por certas cepas probióticas. 🌸 Pele — O eixo intestino-pele é uma via de comunicação bidirecional que a dermatologia está descobrindo com crescente interesse. Pessoas com acne, eczema, rosácea e psoríase frequentemente apresentam disbiose intestinal — e o tratamento da microbiota com probióticos pode melhorar essas condições de forma relevante. Os probióticos reduzem a inflamação sistêmica que se manifesta na pele. Modulam a resposta imunológica que desencadeia processos inflamatórios cutâneos. E algumas cepas específicas produzem compostos que influenciam diretamente a microbiota da pele. Estudos clínicos mostram melhora significativa da acne, da dermatite atópica e da rosácea com o uso regular de cepas probióticas específicas. 🔥 Inflamação — A disbiose intestinal — o desequilíbrio do microbioma — é hoje reconhecida como um dos principais motores da inflamação sistêmica crônica que está na base de doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade, doenças autoimunes e até câncer. Quando a barreira intestinal se compromete, fragmentos bacterianos — especialmente o lipopolissacarídeo (LPS) — atravessam para o sangue e ativam uma resposta inflamatória de baixo grau e alta persistência. Os probióticos restauram a integridade da barreira intestinal, reduzem a translocação bacteriana e modulam a resposta inflamatória sistêmica de forma abrangente e profunda. Para pessoas com condições inflamatórias crônicas, restaurar o equilíbrio do microbioma pode ser um dos passos mais importantes do tratamento. ⚡ Metabolismo — A microbiota intestinal tem influência direta e profunda sobre o metabolismo energético, a regulação glicêmica e o controle do peso corporal. Cepas específicas de probióticos melhoram a sensibilidade à insulina, reduzem os níveis de glicose em jejum e melhoram o perfil lipídico. Produzem ácidos graxos de cadeia curta que ativam receptores metabólicos que regulam o apetite e o gasto energético. E influenciam a expressão de genes relacionados ao armazenamento de gordura. Estudos mostram que pessoas com microbioma mais diverso e equilibrado tendem a ter menor índice de massa corporal e melhor controle glicêmico. ⚗️ Hormônios — A microbiota intestinal participa ativamente do metabolismo hormonal de formas que surpreendem a maioria das pessoas. Ela influencia os níveis de estrogênio através do estroboloma — o conjunto de genes bacterianos que metabolizam o estrogênio no intestino. Cepas específicas produzem serotonina, dopamina e GABA. A microbiota regula o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal e influencia os níveis de cortisol. E o intestino produz mais de 20 hormônios diferentes — incluindo GLP-1, PYY e grelina — que regulam o apetite, a saciedade e o metabolismo. Restaurar o equilíbrio do microbioma pode ter impactos hormonais relevantes que se manifestam em múltiplos sistemas do organismo. 🌺 Saúde Vaginal — Os probióticos têm um papel fundamental e frequentemente subestimado na saúde vaginal feminina. A microbiota vaginal saudável é dominada por Lactobacillus — especialmente L. crispatus, L. jensenii e L. rhamnosus — que mantêm o pH vaginal ácido e produzem compostos que inibem o crescimento de patógenos como Candida albicans e Gardnerella vaginalis. O desequilíbrio dessa microbiota — causado por antibióticos, hormônios, stress ou alimentação inadequada — leva a infecções recorrentes. Cepas probióticas específicas de Lactobacillus — tomadas por via oral ou vaginal — demonstraram em estudos clínicos eficácia comprovada na prevenção e no tratamento de candidíase e vaginose bacteriana recorrentes. 💡 Como escolher e usar probióticos de forma eficaz: 🔬 Cepas específicas — Nem todos os probióticos são iguais — cada cepa tem benefícios específicos. Para intestino irritável: L. plantarum 299v e B. infantis 35624. Para imunidade: L. rhamnosus GG e L. acidophilus. Para ansiedade e humor: L. helveticus R0052 e B. longum R0175. Para candidíase: L. rhamnosus GR-1 e L. reuteri RC-14. Escolha produtos com cepas específicas para o seu objetivo. 📊 UFC — As Unidades Formadoras de Colônias indicam a quantidade de bactérias vivas no produto. Para uso geral, procure produtos com pelo menos 1 a 10 bilhões de UFC por dose. Para condições específicas, doses maiores podem ser indicadas com orientação profissional. 🥛 Fontes alimentares — Iogurte natural com culturas vivas, kefir, chucrute, kimchi, missô e kombucha são fontes naturais extraordinárias de probióticos. A diversidade é fundamental — quanto mais variadas as fontes, mais diverso e equilibrado o microbioma. 🌾 Prebióticos junto — Os probióticos funcionam muito melhor quando acompanhados de prebióticos — as fibras que alimentam as bactérias benéficas. Combine probióticos com alimentos ricos em inulina como banana, alho, cebola e aspargos — ou use suplementos simbióticos que combinam os dois. ⚠️ Observação importante: pessoas imunocomprometidas, com doenças intestinais graves em fase aguda ou submetidas a tratamentos de quimioterapia devem consultar o médico antes de usar probióticos — em casos raros, bactérias vivas podem causar infecções em pessoas muito vulneráveis. A introdução de probióticos pode causar gases e desconforto temporário nas primeiras semanas — começe com doses menores e aumente gradualmente. E lembre-se que os efeitos são cepa-específicos — nem todo probiótico serve para todo objetivo. 🩺 🌍 Uma descoberta que começou com Élie Metchnikoff — o cientista russo que ganhou o Nobel de Medicina em 1908 — ao observar que camponeses búlgaros que consumiam iogurte fermentado viviam excepcionalmente mais e com mais saúde. Que evoluiu por um século de pesquisa científica crescente. Que explodiu nas últimas duas décadas com a revolução do sequenciamento genético que permitiu mapear o microbioma humano em detalhes sem precedentes. E que hoje representa uma das fronteiras mais promissoras da medicina moderna — com descobertas que estão mudando o tratamento de doenças intestinais, mentais, autoimunes e metabólicas. Os probióticos não são modismo. São a mais recente e a mais extraordinária fronteira da medicina do microbioma.

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

O sinal de Quincke é um achado clínico caracterizado pela pulsação capilar visível no leito da unha.

O sinal de Quincke é um achado clínico caracterizado pela pulsação capilar visível no leito da unha. Ao exercer uma leve pressão sobre a extremidade da unha, pode-se observar uma alternância rítmica entre palidez e vermelhidão, acompanhando os batimentos cardíacos. Isso acontece porque as variações de pressão produzidas a cada contração do coração tornam-se suficientemente intensas para serem percebidas nos pequenos vasos periféricos. Esse sinal é classicamente associado à insuficiência ou regurgitação aórtica importante, condição em que a válvula aórtica não se fecha adequadamente e parte do sangue retorna da aorta para o ventrículo esquerdo durante a diástole. Uma das consequências é o aumento da diferença entre a pressão arterial sistólica e a diastólica, chamada de pressão de pulso aumentada, produzindo pulsações periféricas mais evidentes. É importante lembrar que encontrar o sinal de Quincke não é suficiente para diagnosticar insuficiência aórtica. Ele é um dos vários sinais periféricos que podem levantar essa suspeita e deve ser interpretado junto com a ausculta cardíaca, outros achados do exame físico e exames complementares, especialmente o ecocardiograma.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Você acompanha algum nódulo de tireoide?

Se você tem nódulo de tireoide, provavelmente já ouviu a frase "é benigno, vamos apenas acompanhar". E acompanhar é correto. Mas será que existe algo que possa ser feito enquanto se acompanha? Um estudo clínico avaliou exatamente isso. Pacientes com hipotireoidismo subclínico e nódulos tireoidianos benignos usaram a combinação de **mio-inositol e selênio** por 6 meses. O resultado chamou atenção: houve redução de tamanho em boa parte dos nódulos, redução do número médio de nódulos por paciente e melhora da rigidez avaliada por elastografia. O TSH também caiu, de 4,2 para 2,1 mUI/L em média. E por que isso faria sentido? O **selênio** é o mineral mais concentrado na tireoide. Ele participa da produção hormonal e da defesa antioxidante da glândula, que trabalha o tempo todo exposta ao peróxido de hidrogênio, um subproduto natural da síntese dos hormônios. O **mio-inositol** atua como mensageiro dentro da célula tireoidiana: participa da sinalização do TSH e ajuda a modular vias de crescimento celular, o que em modelos experimentais se traduz em menos estímulo proliferativo no tecido da glândula. O contexto que importa: foi um estudo pequeno e observacional, com um perfil específico de pacientes (hipotireoidismo subclínico e nódulos benignos de baixa suspeição). Os achados são promissores, mas não devem ser generalizados para qualquer nódulo e não substituem o acompanhamento com ultrassom e avaliação médica. Na prática, o que eu tiro disso: nódulo de tireoide não é só esperar e ver. Existe um terreno metabólico e nutricional em volta da glândula que pode e deve ser avaliado, incluindo selênio, iodo, zinco, ferro, vitamina D e a função tireoidiana completa, não apenas o TSH. Você acompanha algum nódulo de tireoide? Referência: Nordio M, Basciani S. Evaluation of thyroid nodule characteristics in subclinical hypothyroid patients under a myo-inositol plus selenium treatment. Eur Rev Med Pharmacol Sci. 2018;22(7):2153-2159. PMID: 29687875.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

E por que a vitamina D é tão importante?

Depois dos 50, não é apenas o peso na balança que merece atenção. A gordura abdominal e os níveis de vitamina D também podem estar relacionados ao risco de mortalidade. Um estudo publicado em 2026 na revista Diabetes, Obesity and Metabolism acompanhou 5.520 adultos com 50 anos ou mais durante seis anos. Os pesquisadores observaram que pessoas com obesidade abdominal + deficiência de vitamina D apresentaram 123% maior risco de morte durante o acompanhamento, em comparação com aquelas sem obesidade abdominal e com vitamina D suficiente. E por que a vitamina D é tão importante? A vitamina D vai muito além da saúde dos ossos. Ela participa de diferentes processos do organismo, incluindo: • manutenção da saúde óssea e absorção de cálcio; • funcionamento adequado dos músculos; • funcionamento normal do sistema imunológico; • regulação de diversos processos celulares e metabólicos. Com o envelhecimento, acompanhar o estado nutricional torna-se especialmente relevante. Identificar uma deficiência de vitamina D permite investigar suas possíveis causas e definir, quando necessário, uma estratégia individualizada de alimentação, exposição solar segura e suplementação orientada. A mensagem é olhar para a saúde de forma integrada: menos gordura abdominal, alimentação adequada, atividade física, manutenção da massa muscular e correção de deficiências nutricionais quando indicadas. Fonte: Diabetes, Obesidade e Metabolismo, 2026. A combinação de obesidade abdominal e deficiência de vitamina D aumenta o risco de morte em indivíduos com 50 anos ou mais? Evidências do estudo ELSA.

sábado, 15 de agosto de 2026

Você já fez um exame de magnésio e ele veio "normal"? Isso não significa, necessariamente, que suas reservas de magnésio estejam adequadas.

Você já fez um exame de magnésio e ele veio "normal"? Isso não significa, necessariamente, que suas reservas de magnésio estejam adequadas. Isso acontece porque apenas uma pequena fração do magnésio do organismo está presente no sangue. Cerca de 50–60% do magnésio corporal encontra-se nos ossos, aproximadamente 39–49% nos tecidos moles (principalmente músculos e células) e menos de 1% está no compartimento extracelular, sendo apenas uma pequena parte medida pelo exame de magnésio sérico. Por isso, o magnésio sérico pode permanecer dentro da faixa de referência mesmo quando as reservas corporais já estão reduzidas. O organismo possui mecanismos para manter a concentração de magnésio no sangue relativamente estável, mobilizando o mineral armazenado nos tecidos quando necessário. Isso não significa que o exame de magnésio sérico seja inútil, mas sim que ele não deve ser utilizado isoladamente para excluir deficiência de magnésio, especialmente em pacientes com sintomas sugestivos ou fatores de risco. Na medicina, um exame normal nem sempre conta toda a história. A avaliação clínica completa continua sendo indispensável. 📚 Fontes científicas Costello RB, Elin RJ, Rosanoff A, et al. Perspective: The Case for an Evidence-Based Reference Interval for Serum Magnesium: The Time Has Come. Adv Nutr. 2022;13(1):180-193. Jahnen-Dechent W, Ketteler M. Magnesium Basics. Clinical Kidney Journal. 2012;5(Suppl 1):i3-i14. DiNicolantonio JJ, O'Keefe JH, Wilson W. Subclinical Magnesium Deficiency: A Principal Driver of Cardiovascular Disease and a Public Health Crisis. Open Heart. 2018;5:e000668. de Baaij JHF, Hoenderop JGJ, Bindels RJM. Magnesium in Man: Implications for Health and Disease. Physiological Reviews. 2015;95(1):1-46. Gröber U, Schmidt J, Kisters K. Magnesium in Prevention and Therapy. Nutrients. 2015;7(9):8199-8226.

Alzheimer.

Um estudo longitudinal realizado pelo Centro de Pesquisa em Doença de Alzheimer da Universidade de Washington, publicado no *Journal of Geriatric Psychiatry and Neurology*, acompanhou 499 idosos que não apresentavam demência no início do estudo. idade média dos participantes era de 76,9 anos, e o acompanhamento durou, em média, cerca de 5,9 anos. Entre eles, 61 faziam uso de medicamentos à base de hormônio tireoidiano, como levotiroxina ou liotironina, e 87 relataram histórico de disfunção tireoidiana. Após ajustes para fatores como idade, sexo, escolaridade, raça e status do alelo APOE ε4, observou-se que os usuários de medicamentos para a tireoide apresentaram uma taxa 67% maior de progressão para demência do tipo Alzheimer em comparação com os não usuários. Os pesquisadores também investigaram as possíveis razões pelas quais os hormônios tireoidianos poderiam estar relacionados à doença de Alzheimer. Esses hormônios podem influenciar o processamento da proteína precursora de amiloide, a formação de placas beta-amiloides e a atividade da microglia, processos relevantes para a biologia do Alzheimer. No entanto, a principal descoberta apresentou significância estatística apenas limítrofe (p=0,054), e o uso de medicamentos para a tireoide não foi associado de forma significativa a todas as formas de demência. Por ser um estudo observacional — que se baseou parcialmente em relatos dos próprios participantes sobre doenças da tireoide e careceu de informações detalhadas sobre dosagem e uso a longo prazo —, ele não comprova que a levotiroxina ou outros medicamentos para a tireoide causem a doença de Alzheimer. PMCID: PMC2820146 NIHMSID: NIHMS115809 PMID: 19666883

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

A tireoide não funciona isoladamente.

A tireoide não funciona isoladamente. "Cada vez mais estudos mostram uma forte associação entre Hashimoto e alterações da microbiota intestinal." Cada vez mais pesquisas reforçam a existência do eixo intestino–tireoide, uma comunicação constante entre a microbiota intestinal, o sistema imunológico e a glândula tireoide. Quando ocorre um desequilíbrio da microbiota (disbiose), pode haver aumento da permeabilidade intestinal, passagem de endotoxinas bacterianas (LPS) para a circulação e ativação excessiva do sistema imunológico. Esse processo favorece o aumento de citocinas inflamatórias, como a IL-17, redução de mecanismos reguladores, como IL-10 e células Treg, criando um ambiente propício para a inflamação e para a perpetuação de doenças autoimunes, como a doença de Hashimoto. Além disso, alterações da microbiota podem comprometer a absorção de nutrientes fundamentais para a tireoide, como iodo, ferro, selênio, zinco, magnésio, vitamina A, vitamina D e vitaminas do complexo B, todos importantes para a produção, conversão e ação dos hormônios tireoidianos. Por isso, em muitos pacientes, tratar apenas o TSH ou repor levotiroxina pode não ser suficiente. Também é importante investigar fatores que perpetuam a inflamação intestinal, como disbiose, SIBO/IMO, alimentação inadequada, doenças intestinais, estresse crônico, alterações do sono, uso recorrente de medicamentos e outros desequilíbrios metabólicos. Isso não significa que toda doença de Hashimoto tenha origem no intestino. Significa que o intestino pode influenciar a evolução da doença e merece ser investigado quando indicado. 💛 Na Medicina Preventiva, não tratamos apenas exames. Investigamos o contexto biológico que favoreceu o aparecimento da doença para atuar também na causa, sempre com base nas melhores evidências científicas disponíveis. 📚 Referência (resumida): Su X. et al. Gut dysbiosis is associated with primary hypothyroidism with interaction on the gut–thyroid axis. Clinical Science. 2020.

SINAIS DE NA SAÚDE BUCAL.

No caso de Hashimoto e alterações da tireoide, pode existir uma relação com situações de impotência, incapacidade de agir ou dificuldade de modificar determinada situação. Também aparece a ideia de não conseguir alcançar ou realizar algo a tempo. Nas doenças cardiovasculares, podem aparecer temas relacionados a território, desempenho, sobrecarga e autodesvalorização. O coração e o sistema cardiovascular são, portanto, associados a situações nas quais a pessoa teria vivenciado pressão, ameaça ao próprio território ou necessidade de sustentar responsabilidades excessivas. Na síndrome dos ovários policísticos (SOP), existe um conflito de perda, particularmente quando existe uma perda afetiva significativa, inesperada ou vivenciada como ameaça de perda de alguém ou de algo com forte vínculo emocional. Para osteopenia e osteoporose, o conceito central é o de autodesvalorização, envolvendo experiências nas quais a pessoa se percebeu incapaz, insuficiente, sem valor, sem sustentação ou sem condições de dar conta de determinada situação. Na síndrome de Sjögren, sintomas relacionados às mucosas e às glândulas podem ser associados a temas de separação, contato e proteção. A experiência subjetiva de afastamento, perda de contato ou necessidade de proteção pode, nessa perspectiva, assumir importância na investigação do conflito. No diabetes tipo 2, existe relação com um tema de resistência ou oposição. A pessoa poderia estar vivenciando uma situação percebida como uma imposição, na qual sente que precisa fazer algo contra a própria vontade ou resistir a determinada circunstância. O conceito central seria, portanto, o de estar diante de algo que não deseja aceitar ou fazer, mas que sente não poder evitar. No caso de SIBO e disbiose, existem conflitos atribuídos ao sistema digestivo, especialmente a ideia de não conseguir “digerir”, assimilar ou aceitar determinada experiência. Situações emocionalmente difíceis de elaborar, aceitar ou integrar podem ser utilizadas. Cada uma dessas programações inconscientes, que muitas vezes, surgem em outras gerações, podem ser identificadas e tratada

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Está usando Mounjaro? Então cuidado com o que coloca no prato!

Está usando Mounjaro? Então cuidado com o que coloca no prato! Frituras, fast-foods, doces em excesso, refrigerantes e bebidas alcoólicas podem piorar náuseas, refluxo, vômitos e desconforto abdominal — além de atrapalhar seus resultados. Isso não significa que existam alimentos “proibidos” para todas as pessoas. A recomendação é limitar esses produtos, reduzir as porções, comer devagar e priorizar proteínas, fibras, água e alimentos pouco processados. Mounjaro não é passe livre para comer de tudo. O medicamento ajuda, mas o resultado depende de estratégia, acompanhamento e mudança de hábitos. Dor abdominal intensa ou persistente, vômitos repetidos ou sinais de desidratação exigem avaliação médica. Fontes: [bula do Mounjaro ](https://pi.lilly.com/us/mounjaro-uspi.pdf) e [orientações sobre tirzepatida — NHS](https://www.nhs.uk/medicines/tirzepatide/).

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

O fibrinogênio é conhecido por seu papel na coagulação sanguínea, mas sua importância clínica vai muito além disso.

O fibrinogênio é conhecido por seu papel na coagulação sanguínea, mas sua importância clínica vai muito além disso. Quando está elevado, costuma indicar um estado de inflamação sistêmica persistente, mediado principalmente pela interleucina 6 (IL-6), além de um aumento da tendência à formação de trombos. Na prática, níveis elevados de fibrinogênio estão associados a: • aumento da viscosidade do sangue; • maior agregação plaquetária; • disfunção do endotélio vascular; • maior formação de fibrina; • redução da capacidade de dissolver coágulos; • maior instabilidade das placas de aterosclerose. Esses mecanismos favorecem a progressão das doenças cardiovasculares. É importante lembrar que a aterosclerose não depende exclusivamente do colesterol. Trata-se de um processo complexo que envolve inflamação vascular, estresse oxidativo, ativação do sistema imunológico, alterações metabólicas e fenômenos trombóticos. Por isso, o fibrinogênio pode ser um marcador valioso na avaliação do risco cardiovascular. Na rotina clínica, é comum encontrar pacientes com LDL discretamente elevado, mas apresentando importante inflamação metabólica, evidenciada por hiperinsulinemia, PCR ultrassensível aumentada, ferritina elevada, homocisteína alterada e fibrinogênio alto. Da mesma forma, existem pessoas com LDL elevado, porém sem sinais de inflamação sistêmica e sem evidências de aterosclerose em exames de imagem. Isso reforça que avaliar apenas o colesterol, de forma isolada, pode não refletir o verdadeiro risco cardiovascular. Uma avaliação mais completa, considerando marcadores inflamatórios e o estado de saúde do endotélio, permite uma visão mais precisa do risco individual. Referência Luyendyk JP, Schoenecker JG, Flick MJ. The multifaceted role of fibrinogen in tissue injury and inflammation. Seminars in Immunopathology. 2012;34(1):43-62. doi:10.1007/s00281-011-0290-8.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Zumbido e o Estradiol.

Te disseram que esse zumbido é "da idade". Ou pior: que é apenas estresse. A ansiedade bate, a insônia piora. Você vai ao otorrino, ele pede exames, diz que não há nada de errado e te manda de volta pra casa. A medicina ultrapassada trata o seu ouvido como se ele fosse um órgão isolado, desconectado de você. Mas a ciência já documentou a verdade há décadas. Estudos desde 2002 e publicações como a da revista On Target (2018) mostram o que muitos pararam de estudar: Existem receptores de estrogênio por toda a sua via auditiva. Quando o seu estradiol despenca — no climatério ou na menopausa —, a sua audição sofre. O zumbido é o seu corpo gritando por hormônio. Cada paciente que chega ao consultório frustrada com diagnósticos sem saída nos lembra por que precisamos tratar a causa, não o sintoma. A reposição hormonal correta e bem avaliada atua na raiz do problema, reduzindo os riscos e devolvendo qualidade de vida. Você não precisa se acostumar com esse barulho. Isso tem causa — e tem caminho.

domingo, 2 de agosto de 2026

EFEITOS ADVERSOS DAS VACINAS.

O sangue não é apenas transporte. Ele também é defesa. E essa talvez seja uma das chaves mais importantes para entender por que alguns eventos vasculares raros após vacinação não podem ser tratados como “imaginação”, mas também não podem ser usados como prova de que tudo foi causado pela vacina. A circulação é um sistema vivo. Dentro dos vasos, endotélio, plaquetas, coagulação, complemento, neutrófilos e inflamação conversam o tempo inteiro. Quando esse sistema está regulado, ele protege. Quando perde precisão, a defesa pode virar trombose. É aqui que entra um dos pontos mais sérios da literatura: a VITT/TTS, uma síndrome rara descrita principalmente após vacinas adenovirais contra COVID-19, na qual a trombose pode aparecer junto com plaquetas baixas, D-dímero muito elevado e anticorpos anti-PF4. Isso não é uma trombose comum. É uma síndrome imunológica da coagulação. E não, isso não significa que toda trombose, todo AVC ou todo infarto depois de uma vacina seja automaticamente causado por ela. Grandes coortes não confirmaram uma epidemia populacional de infarto comum ou AVC arterial comum após vacinas mRNA. Mas também não é científico fingir que os sinais reconhecidos não existem. A pergunta madura não é “vacina causa trombose?” A pergunta correta é: qual plataforma? qual janela temporal? quais plaquetas? qual D-dímero? tem anti-PF4? qual imagem? qual mecanismo? Sem isso, vira medo. Com isso, vira ciência. Vacina, proteína spike, inflamação, plaquetas e coagulação precisam ser discutidas com precisão. Porque raro não significa falso. Raro significa que precisa ser investigado com método, biomarcador e responsabilidade. O corpo não erra por acaso. Quando a circulação entra em modo de guerra, precisamos entender quem acionou o alarme, qual via foi ativada e qual tecido pagou o preço. Fontes: Nature Reviews Immunology; New England Journal of Medicine; Global Vaccine Data Network; Nature Communications.