quinta-feira, 23 de abril de 2026

Um novo estudo publicado em 2026 no European Journal of Preventive Cardiology, mostrou que mesmo quando o colesterol LDL está bem controlado com estatinas, ainda pode existir risco cardiovascular residual.

Um novo estudo publicado em 2026 no European Journal of Preventive Cardiology, mostrou que mesmo quando o colesterol LDL está bem controlado com estatinas, ainda pode existir risco cardiovascular residual. O estudo acompanhou 9.400 pacientes tratados com estatinas com LDL abaixo de 70 mg/dL. Os pacientes foram estratificados por: Triglicerídeos (TG ≥150 mg/dL) Inflamação (PCR-us igual ou maior a 2 mg/L) 💡 O resultado é impressionante: 👉 A inflamação — não os triglicerídeos — impulsiona o risco. Risco inflamatório residual → ~1,8x Maiores Eventos Cardiovasculares Adversos TG combinado + inflamação → ~1,9x Maiores Eventos Cardiovasculares Adversos Triglicerídeos isoladamente NÃO aumentaram significativamente o risco cardíaco. 🧠 Vamos ser claros: Passamos décadas otimizando: ✔ LDL ✔ Perfis lipídicos ✔ Metas de colesterol Mas este estudo mostra que você pode vencer a batalha dos lipídios… e ainda perder a guerra. Porque a aterosclerose não é apenas impulsionada por lipídios. 👉 É uma doença inflamatória 📄 DOI: 10.1093/eurjpc/zwaf112

Praticar o chamado “agachamento chinês”.

Praticar o chamado “agachamento chinês” — o agachamento profundo, com os pés totalmente apoiados no chão — pode favorecer diretamente a função intestinal, especialmente em casos de constipação. Essa posição modifica o ângulo entre o reto e o canal anal, facilitando o relaxamento do músculo puborretal e tornando a evacuação mais fisiológica. É o mesmo princípio por trás de adaptações modernas como o apoio para os pés no vaso sanitário. Ao repetir essa posição duas a três vezes ao dia, o corpo passa a reconhecer com mais facilidade o padrão mecânico ideal para evacuar, reduzindo esforço e tempo no banheiro. Além disso, o agachamento profundo atua como um exercício funcional para o assoalho pélvico. Ele promove um equilíbrio entre contração e relaxamento desses músculos, que são fundamentais tanto para continência quanto para evacuação eficiente. Em muitas pessoas com constipação, há um padrão de disfunção em que o assoalho pélvico não relaxa adequadamente. O hábito regular dessa postura ajuda a reeducar essa musculatura, melhorando a coordenação entre pressão abdominal e relaxamento pélvico — algo essencial para um intestino que funcione com fluidez. Outro benefício importante está na mobilidade global e na estimulação visceral. O agachamento profundo envolve quadris, tornozelos, coluna e musculatura abdominal, criando uma leve compressão e massagem sobre os órgãos intestinais. Esse estímulo mecânico pode favorecer o peristaltismo, ou seja, o movimento natural do intestino. Além disso, por ser uma posição de descanso ativa em muitas culturas, ela também contribui para redução de tensão corporal e melhora da consciência corporal, fatores que influenciam diretamente o funcionamento do sistema digestivo

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Estatinas.

Uma revisão sistemática e meta-análise avaliou a associação entre o uso de estatinas e o score de cálcio coronariano. Os resultados mostraram que, nos estudos observacionais, transversais e de coorte, o uso de estatinas esteve associado a maiores níveis de calcificação coronariana e maior prevalência de níveis elevados de score de cálcio. Só que mesmo aumentando a calcificação, metanálises dos ensaios disponíveis mostraram uma redução significativa do risco de eventos cardiovasculares.Isso sugere que a calcificação do ateroma mediada pela estatina pode aumentar a estabilidade da placa e reduzir o risco de ruptura da placa. A estatina aumenta a expressão da Proteína Morfogenética Óssea 2 (BMP-2) nos vasos, aumentando a diferenciação de células mesenquimais em osteócitos que pode calcificar e estabilizar a placa. Só que essa placa não pode crescer. Aí entra o cuidado de ter antioxidantes lipossolúveis como a vitamina E e Q10 para não oxidar a LDL, evitar hábitos pró oxidantes como o tabagismo e talvez usar a vitamina K que pode proteger contra a calcificação ectópica. Em um estudo com 304 participantes, a suplementação de vitamina K2 + D não reduziu o score de cálcio em 2 anos, mas reduziu a progressão. A K2 seria mais um preventivo do que um tratamento. Por outro lado, os anticoagulantes inibidores da vitamina K demonstraram aumentar o score de cálcio, justamente por inibir a regeneração e ação da vitamina K no transporte e fixação do cálcio no osso. Um estudo com usuários de anticoagulantes antagonistas de vitamina K a longo prazo demonstrou que esses pacientes apresentaram maior calcificação das artérias coronárias em comparação com o grupo controle (178,1 vs. 61,1) e que talvez seria melhor optar por anticoagulantes que não interfira no metabolismo da vitamina K. doi: 10.1007/s00059-018-4760-9. doi: 10.1007/s11883-023-01151-w. doi: 10.1097/CRD.0000000000000438. doi: 10.1016/j.jacadv.2023.100643

terça-feira, 21 de abril de 2026

MITOCÔNDRIA.

A mitocôndria é, sem dúvida nenhuma, a estrutura mais importante da humanidade no momento. Para vocês terem ideia, temos duas vias de produção energética na mitocôndria. A mitocôndria produz ATP, e o ATP é a moeda de troca interna do nosso corpo. ATP serve para alguma coisa - ATP é dinheiro dentro do organismo. Por quê? Porque você troca ele por alguma coisa. Você pode trocar ATP por hormônio, por energia, por síntese de vitaminas, por síntese de proteínas. Por tudo que puder imaginar, ATP está envolvido. E tem dois jeitos de produzir. Primeira via: glicolítica. A via glicolítica usa exclusivamente o ciclo de Krebs. E esse ciclo de Krebs vai entrar no final da cadeia respiratória e produzir ATP. Chama-se cadeia respiratória porque depende de oxigênio. Segunda via: beta-oxidação. E aqui está uma coisa que não aprendemos adequadamente na faculdade. Beta-oxidação é o uso de triglicerídeos (gordura). Triglicerídeo não é apenas para aparecer "alto" no exame e o médico mandar baixar. Triglicerídeo é combustível. Gordura entra direto na cadeia respiratória e vai usar um pouco de NAD e FAD vindos do ciclo de Krebs. Ou seja, precisamos do ciclo de Krebs. E o ciclo de Krebs funciona a partir de glicose. Então sim, precisamos de glicose para viver. Mas o que não precisamos é de glicose exógena. Nós fomos projetados na natureza para produzir todo o ATP a partir de gordura. E toda a glicose necessária para alimentar o ciclo de Krebs vem da neoglicogênese endógena. Portanto, é muito pouca a glicose que precisamos para sobreviver. Quando temos glicose demais, bloqueamos uma via chamada CPT-1 e CPT-2, que são as vias que permitem a entrada de gordura dentro da mitocôndria. A via glicolítica é preferencial evolutivamente porque na natureza, se estivéssemos passando fome e achássemos uma batata para comer, o corpo precisava usar aquilo com urgência.

Ozempic não é solução mágica.

Ozempic não é solução mágica. Emagrecer, por si só, não significa construir saúde de verdade. A discussão sobre os agonistas de GLP-1 e saúde óssea está crescendo porque a perda de peso rápida pode vir acompanhada de redução de massa magra e de menor estímulo mecânico sobre os ossos. Em um ensaio clínico, o uso isolado de liraglutida reduziu a densidade mineral óssea em quadril e coluna, enquanto a combinação com exercício ajudou a preservar melhor a saúde óssea.  O ponto principal é simples: perder gordura sem preservar músculo, força e ingestão adequada de nutrientes pode aumentar o risco de fragilidade ao longo do tempo. A própria literatura recente destaca que os efeitos dos agonistas de GLP-1 sobre o osso ainda exigem atenção, especialmente em contextos de emagrecimento acelerado e menor aporte nutricional.  O que realmente ajuda durante o processo de emagrecimento: ✅ treino de força consistente ✅ ingestão adequada de proteína ✅ atenção a cálcio, vitamina D, vitamina k2 e estado nutricional ✅ acompanhamento da composição corporal, não só do peso na balança ✅ monitoramento clínico quando houver indicação  Em outras palavras: não basta ficar mais leve. É preciso ficar mais forte. Saúde real não é só perder peso. Saúde real é preservar músculo, osso, metabolismo e função. Referência científica: Jensen SBK et al. JAMA Network Open (2024); Herrou J et al. revisão narrativa sobre agonistas de GLP-1 e saúde óssea, 2024. 

Testosterona é hormônio masculino? Essa é uma das maiores inverdades que a medicina ainda repete.

Testosterona é hormônio masculino? Essa é uma das maiores inverdades que a medicina ainda repete. A testosterona tem custo real para a saúde das mulheres. O fato: testosterona circula no corpo feminino em concentração até 4× maior que o estradiol quando comparamos na mesma escala molar. Isso está descrito textualmente no Lancet Diabetes & Endocrinology (Davis & Wahlin-Jacobsen, 2015), um dos artigos mais citados sobre o tema. E a origem desse hormônio surpreende: → 25% vem dos ovários → 25% das adrenais → 50% é produzida diretamente nos tecidos: mama, osso, músculo, cérebro Esse mecanismo tem nome: intracrinologia. Os tecidos fabricam e consomem testosterona localmente, independente do que circula no sangue. Mais: receptores de testosterona foram encontrados em praticamente todos os órgãos do corpo feminino. Cérebro, osso, músculo, mama, vagina, coração, pele. Um hormônio com receptores em todos os órgãos não é acessório. E o declínio começa aos 30 anos. um estudo de 2025 com 8.096 mulheres, medidas pelo padrão-ouro de dosagem (cromatografia de massa), confirmou queda progressiva décadas antes da menopausa. Na menopausa, o estradiol cai ~90%. A testosterona cai ~15%. Quem realmente desaparece é o estrogênio. Isso muda tudo sobre como entendemos a saúde hormonal da mulher. Fonte: Lancet Diabetes & Endocrinology (Davis & Wahlin-Jacobsen, 2015)

Babosa.

No Brasil, o consumo de babosa (Aloe vera) in natura por via oral não é recomendado justamente por causa da presença de compostos como antraquinonas, especialmente a aloína e a aloesmodina. Essas substâncias estão concentradas na parte amarela da planta (látex), localizada entre a casca e o gel. Elas têm ação laxativa potente e irritativa sobre o intestino, podendo causar cólicas, diarreia intensa, desidratação e, em uso prolongado, até alterações eletrolíticas e sobrecarga hepática. Em doses elevadas ou uso contínuo, esses compostos podem se tornar tóxicos. Além disso, as antraquinonas podem estimular excessivamente o trânsito intestinal, o que prejudica a absorção de nutrientes e pode levar a um desequilíbrio do organismo. Há também estudos que sugerem potencial efeito irritativo crônico sobre a mucosa intestinal e possíveis riscos quando utilizadas sem controle. Por isso, o uso direto da planta, sem preparo adequado, especialmente ingerindo o látex junto com o gel, representa um risco que muitas vezes não é percebido pelas pessoas que acreditam estar consumindo algo totalmente seguro por ser natural. Por outro lado, a babosa é considerada extremamente segura e benéfica quando corretamente processada, ou seja, quando o látex é removido e se utiliza apenas o gel interno purificado. Esse gel, livre de aloína e outras antraquinonas, possui compostos bioativos importantes, como polissacarídeos, vitaminas e minerais, com efeitos hidratantes, cicatrizantes e anti-inflamatórios. É assim que a indústria trabalha: retirando as frações potencialmente tóxicas e padronizando o produto para uso seguro. Ou seja, o problema não é a planta em si, mas a forma de uso — quando bem preparada, a babosa pode ser uma aliada valiosa para a saúde.

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Plantas que afastam aranhas.

O alecrim (Rosmarinus officinalis), a lavanda (Lavandula angustifolia) e a hortelã (Mentha piperita) afastam aranhas principalmente por causa dos compostos aromáticos voláteis que liberam no ambiente. Essas plantas produzem óleos essenciais ricos em substâncias como monoterpenos, álcoois aromáticos e ésteres, que têm função natural de defesa da planta contra insetos e outros pequenos organismos. Para nós, esses aromas costumam ser agradáveis, mas para aranhas e insetos eles são percebidos como irritantes ou desorganizadores do ambiente, fazendo com que evitem permanecer nesses locais. Além disso, as aranhas tendem a ocupar espaços onde há presença de presas, como pequenos insetos. O cheiro dessas plantas não apenas incomoda diretamente, mas também ajuda a reduzir a presença de outros insetos no ambiente. Ou seja, existe um efeito indireto importante: ao tornar o local menos atrativo para insetos, essas plantas acabam reduzindo o alimento disponível para as aranhas. Isso faz com que o ambiente deixe de ser interessante do ponto de vista ecológico para elas. Outro ponto importante é que esses compostos aromáticos atuam como uma espécie de “interferência química” no comportamento dos artrópodes. Eles podem afetar receptores sensoriais responsáveis por orientação, comunicação e percepção do ambiente. Com isso, as aranhas ficam desorientadas ou desconfortáveis, preferindo se afastar. Por isso, manter essas plantas próximas a janelas, portas e cantos da casa cria uma barreira natural que ajuda a manter o ambiente menos propício à presença desses animais

domingo, 19 de abril de 2026

Nem toda autossabotagem é psicológica. Às vezes, é biologia em modo de sobrevivência.

Nem toda autossabotagem é psicológica. Às vezes, é biologia em modo de sobrevivência. Você tenta seguir em frente. Tenta racionalizar. Tenta “ser forte”. Mas o corpo continua reagindo como se o perigo ainda estivesse presente. Isso porque trauma e estresse crônico podem deixar marcas em circuitos cerebrais, no eixo HPA (hipotálamo–hipófise–adrenal), no sono, na inflamação e na capacidade de autorregulação. A literatura descreve esse processo em termos como carga alostática, remodelamento neural relacionado ao estresse e desregulação neuroimune.  Por isso, às vezes, a pessoa: vive em alerta, dorme mal, se irrita fácil, se sente exausta, repete padrões ruins e ainda se culpa por “não conseguir mudar”. Mas talvez o problema não seja falta de força. Talvez seja um sistema nervoso que aprendeu a sobreviver antes de aprender a descansar. 🌿 Adaptação não é fraqueza. Muitas vezes, é o corpo fazendo o melhor que consegue para manter você vivo. O que te protegeu em um momento da vida… pode estar te adoecendo em outro. Curar de verdade não é só entender a história. É ajudar cérebro, corpo e sistema nervoso a saírem do modo de ameaça. Nem tudo o que parece escolha é liberdade. Às vezes, é um padrão biológico automatizado pedindo cuidado. Artigos científicos • McEwen BS. Protective and damaging effects of stress mediators. DOI: 10.1056/NEJM199801153380307  • Tsigos C, Chrousos GP. Hypothalamic-pituitary-adrenal axis, neuroendocrine factors and stress. DOI: 10.1016/S0022-3999(02)00429-4  • Cohen S et al. Chronic stress, glucocorticoid receptor resistance, inflammation, and disease risk. DOI: 10.1073/pnas.1118355109  • McEwen BS, Nasca C, Gray JD. Stress effects on neuronal structure: Hippocampus, amygdal, and prefrontal cortex. DOI: 10.1038/npp.2015.171

Coenzimas são moléculas que ajudam as enzimas a funcionar, sem elas o metabolismo não roda direito.

Coenzimas são moléculas que ajudam as enzimas a funcionar, sem elas o metabolismo não roda direito. Elas atuam transportando energia e participando das reações químicas do corpo. As mais importantes. Coenzima Q10 Produz energia na mitocôndria, essencial para energia, coração e desempenho. NAD e NADH Participam da produção de energia, diminuem com a idade e estão ligados à fadiga. FAD e FADH2 Atuam na geração de energia e são fundamentais na queima de gordura. Acetil CoA É o centro do metabolismo, conecta carboidratos, gorduras e proteínas. Glutationa Principal antioxidante do corpo, atua na desintoxicação e proteção celular. Resumo direto Sem coenzimas o metabolismo fica lento. REFERÊNCIAS BRUICE, P. Y. Química Orgânica. 4ª. Ed. Pearson Prentice e Hall, São Paolo – SP, 2006. Vol. 2. LEHNINGER, A. L.; NELSON, D. L.; COX, M. M. Princípios de Bioquímica, 4ª. Edição, Editora Sarvier, 2006, capítulo 7. MASTROENI, M. F., GERN, R. M. M. Bioquímica: Práticas Adaptadas. Atheneu, São Paulo – SP, 2008. PAVIA, D. L., LAMPMAN, G. M., KRIZ, G. S., ENGEL, R. G. Química Orgânica Experimental: Técnicas de escala pequena. 2ª. Ed., Bookman, Porto Alegre - RS, 2009. PETKOWICZ et. al. Bioquímica: Aulas Práticas. 7ª. Ed. Editora UFPR, Curitiba – PR, 2007. dos SANTOS, P. C., BOCK, P. M. Manual Prático de Bioquímica. Ed. Universitária Metodista IPA, Porto Alegre – RS, 2008. VOGUEL, A.I. Química Orgânica: Análise Orgânica Qualitativa, Ed. Ao Livro Técnico S.A., Vol. 1, 2 e 3, 1971.

O capim-cidreira (Cymbopogon citratus) é geralmente seguro, mas algumas pessoas precisam ter cautela no uso.

O capim-cidreira (Cymbopogon citratus) é geralmente seguro, mas algumas pessoas precisam ter cautela no uso. Gestantes, por exemplo, devem evitar principalmente o uso em grandes quantidades ou formas concentradas, pois há indícios de que a planta pode estimular contrações uterinas. Crianças pequenas também devem consumir apenas chás leves e com moderação, evitando especialmente o uso de óleo essencial sem orientação profissional. Pessoas com pressão baixa podem sentir tontura ou fraqueza, já que o capim-cidreira pode reduzir ainda mais a pressão arterial. Além disso, quem faz uso de medicamentos calmantes, ansiolíticos ou para dormir deve ter atenção, pois a planta pode potencializar o efeito sedativo, levando a sonolência excessiva e diminuição da atenção. O uso do óleo essencial exige ainda mais cuidado, pois é muito concentrado e pode causar irritações na pele ou efeitos mais intensos no organismo. De forma geral, o capim-cidreira deve ser usado com moderação em pessoas com maior sensibilidade, doenças hormonais ou digestivas, sendo sempre ideal buscar orientação profissional em casos específicos

sábado, 18 de abril de 2026

Ácido úrico alto não é detalhe de exame.

Ácido úrico alto não é detalhe de exame. Mesmo dentro da “faixa normal”, valores acima de 6 mg/dL já podem causar danos silenciosos. O ideal é manter abaixo de 4 mg/dL quando o objetivo é proteção vascular real. • Pode se infiltrar na parede dos vasos • Contribui para perda de elasticidade • Favorece o endurecimento arterial • Aumenta o risco de entupimento e AVC E o problema é que, na maioria das vezes, isso evolui sem sintomas claros. 📌 O que pode elevar o ácido úrico: • Excesso de álcool • Alto consumo de açúcar, principalmente frutose • Dieta rica em ultraprocessados • Resistência metabólica • Baixa hidratação • Disfunção renal

quinta-feira, 16 de abril de 2026

No hemograma, tem 2 marcadores que podem sugerir maior risco de trombose.

No hemograma, tem 2 marcadores que podem sugerir maior risco de trombose. O mais conhecido é a plaqueta. Quanto muito baixa pode ser porque ela saiu do sangue e foi para o vaso formando o trombo. Se as plaquetas estão baixa e o D-dímero está alto indica possivelmente uma coagulação disseminada. Mas hoje eu venho falar dos neutrófilos como um efetor e potencializador da trombose. A função principal dos neutrófilos é fagocitar bactérias e destruí-las. O problema é que ele não faz isso em silêncio. Ele produz tantos radicais livres como o ácido hipocloroso que acaba morrendo e liberando seus conteúdos para o meio extracelular. Esse processo chamamos de Netose. Na Netose, os neutrófilos liberam os Nets ou armadilhas extracelulares que são usadas oara captar bactérias, mas o problema é que nos Nets tem histonas que ativa receptores plaquetários, aumentando a agregação plaquetária. Além disso, os Nets capturam o fibrinogênio na parede do vaso e facilita sua conversão em fibrina pela trombina. Os Nets também interagem com o Fator de Von Willebrand no vaso, potencializando a adesão das plaquetas. Só que ao produzir o radical livre ácido hipocloroso, ocorre a oxidação de alfa secretases inibindo essas enzimas que deveria degradar o Fator de Von Willebrand. Com mais Fator de Von Willebrand ativo, maior a adesão da plaqueta no vaso. Só que os neutrófilos também liberam o DNA de dentro da célula para fora. O DNA fora da célula ativa o Fator XII de coagulação, iniciando a ativação da cascata coagulatória até formar os coágulos de fibrina. Ao liberar enzimas como metaloproteinases e catepsinas, os neutrófilos promovem um dano na barreira endotelial. Essa barreira permeável expõe o colágeno que ativa as plaquetas que se agrega formando trombos. Neutrófilos também liberam a elastase neutrofílica que degrada o Inibidor da Via do Fator Tecidual. Com isso, aumenta o Fator Tecidual livre que ativa a cascata de coagulação levando à formação dos coágulos de fibrina. A elevação dos neutrófilos (geralmente maior que 6500) e da relação neutrófilos/linfócitos (geralmente maior que 2) foram associados ao risco de trombose. doi: 10.3389/fimmu.2020.610696