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sexta-feira, 10 de julho de 2026
O Brasil certamente está entre os países com mais leis e regulamentações do mundo.
O Brasil certamente está entre os países com mais leis e regulamentações do mundo. São milhões de normas sobre a cabeça do cidadão comum, controlando desde comportamentos fúteis do convívio social até, cada vez mais, aquilo que devemos pensar.
O Estado brasileiro e seus sucessivos governos, há centenas de anos, tentam controlar e orientar o comportamento social por meio de leis sobre leis. Com isso, o sistema se torna cada vez mais confuso, abrangente e aberto a interpretações que, muitas vezes, são usadas como instrumentos de perseguição, censura e destruição das liberdades individuais.
O “cidadão de bem”, hoje, é quase um indivíduo hipotético. Dentro da sociedade brasileira, torna-se cada vez mais difícil não ser, em algum nível, um infrator, um contraventor ou até mesmo um criminoso. A quantidade de leis criadas dia após dia pode facilmente transformar qualquer indivíduo que esteja preocupado com alguma coisa.
O título de criminoso, que antes parecia reservado ao pior tipo de pessoa, como assassinos, ladrões e corruptos, hoje pode ser aplicado até a uma opinião. Ironicamente, muitas vezes assassinos e ladrões são mais tolerados, relativizados e até vangloriados do que alguém que ousa comete uma atitude mais perigosa que um brasileiro pode ter hoje: pensar por si próprio.
Agora, lei não é referência absoluta do que é certo ou errado. Lei sequer é, necessariamente, referência de justiça. No Brasil, muitas vezes, a lei representa apenas a imposição da vontade de uma parcela da população sobre todo o resto. Logo, muitas coisas podem transformar alguém em criminoso, acusado ou suspeito.
O Estado é, por natureza, sujeito ao controle. Seus governos são agentes executivos da imposição desse controle. E o pior criminoso, aquele que é diretamente destruído, perseguido e eliminado, não é necessariamente quem roubou milhões ou matas ofertas. É quem discorda.
Para um governo com tendências totalitárias, o pior crime é uma opinião. Qualquer pensamento, posicionamento ou fala que esteja fora do que é permitido passa a ser combatido, criminalizado e perseguido. Essa é uma das métricas que alertam para uma ditadura em curso: quando você já não tem liberdade para pensar por si.
“Quem não deve não teme.” Essa é a frase que a parcela concordante ecoa contra quem se atreve a questionar. É uma tentativa de constranger qualquer pessoa pelo ato revolucionário de dar uma opinião na contramão do que é socialmente aceito.
Hoje, até uma conversa comum entre amigos, entre parceiros ou mesmo entre estranhos pode facilmente rotular alguém como agressor, misógino, racista ou qualquer outra categoria de notícias públicas. Muitas vezes sequer houve intenção, mas a própria natureza subjetiva de certas leis e interpretações permite enquadrar quase tudo como crime.
Isso acontece porque muitas dessas normas não foram criadas para corrigir algum problema. Foram criados para fragmentar a sociedade, ampliar o medo e obter controle.
A liberdade é a base da construção de uma sociedade autônoma e madura, formada por indivíduos conscientes e responsáveis. E esse é o maior desespero de muitos governos. O que eles desejam não são cidadãos livres, críticos e independentes, mas pessoas ignorantes, dependentes e inválidos.
Dessa forma, o ciclo se renova e se torna autossustentável. Quem depende do Estado para dizer o que é certo, quais valores deve seguir e até o que deve pensar jamais desejará se livrar desse conforto psicopatológico. É uma condição criada em mentes com julgamento crítico e pessoal deteriorado, onde a reflexão própria deu lugar ao eco de ideologias e militâncias que não resistem ao argumento lógico mais básico.
O apoio ao totalitarismo estatal é um campo minado por onde caminhamos tanto aliados quanto opositores. Em algum momento, você pode se tornar vítima do mesmo tipo de injustiça, perseguição e censura que um dia defendeu contra quem pensava diferente.
Todo o espaço que cedemos ao Estado dentro de nossas casas, famílias e mentes naturalmente é conquistado de volta.
Se permitirmos que governos, entidades políticas e ideológicas ditem regras e leis para tudo, em breve não sobrará nada. Famílias serão destruídas, casamentos e relacionamentos se tornarão cada vez mais impossíveis, e tudo aquilo que por autêntico, espontâneo e humano será tratado como ameaça.
No fim, não será preciso cometer um grande crime para ser perseguido. Bastará pensar
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