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terça-feira, 3 de novembro de 2026

A ferritina elevada na disfunção metabólica é um achado muito interessante porque pode representar muito mais do que excesso de ferro.

A ferritina elevada na disfunção metabólica é um achado muito interessante porque pode representar muito mais do que excesso de ferro. Frequentemente, ela funciona como um marcador de inflamação metabólica, resistência insulínica e alteração da homeostase do ferro. Existe uma condição chamada hiperferritinemia metabólica (Dysmetabolic Iron Overload Syndrome: DIOS), associada à resistência insulínica, obesidade visceral, esteatose hepática e síndrome metabólica. Vamos entender os mecanismos bioquímicos. Por que a ferritina aumenta? Inflamação metabólica de baixo grau. Na obesidade visceral e na resistência insulínica ocorre aumento de mediadores inflamatórios, como: IL-6; TNF-α; IL-1β. A IL-6 estimula a produção hepática de hepcidina, hormônio responsável por regular a disponibilidade do ferro. A hepcidina promove a internalização e degradação da ferroportina, reduzindo a exportação de ferro dos macrófagos e enterócitos. Consequentemente, o ferro fica mais retido dentro das células, podendo contribuir para alterações na ferritina circulante. Resistência insulínica e metabolismo do ferro. A hiperinsulinemia e a disfunção metabólica estão associadas a alterações na regulação do metabolismo do ferro. Alteração da sinalização da hepcidina. Maior retenção intracelular de ferro. Alterações na distribuição do ferro entre fígado, macrófagos e circulação. Na doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD), podem ocorrer: Estresse oxidativo mitocondrial; Lipotoxicidade; Inflamação hepatocelular, Liberação de ferritina por lesão celular. Portanto, a ferritina pode aumentar sem que exista necessariamente uma sobrecarga significativa de ferro corporal. O ferro participa da reação de Fenton, gerando radicais hidroxila altamente reativos, aumentando peroxidação lipídica e contribuir para dano mitocondrial e inflamação hepática. Forma-se uma relação bidirecional: disfunção metabólica favorece alterações no ferro, e o excesso de ferro tecidual pode agravar a disfunção metabólica.