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quinta-feira, 8 de outubro de 2026

O que esgota a tiamina no mundo moderno.

O que esgota a tiamina no mundo moderno. A vida moderna consome B1 em ritmo maior do que a repomos [4]. Carboidratos orgânicos excluídos mais B1 para serem metabolizados [4]. Açúcar, refrigerantes e xarope de milho rico em frutose elevam ainda mais essa demanda [4]. Café e chá em excesso contêm polifenóis, como os taninos e o ácido clorogênico, que degradam quimicamente a tiamina e podem comprometer seu aproveitamento pelo organismo [27]. Peixes crus podem conter tiaminases, enzimas que destroem a vitamina B1 antes que ela chegue ao sangue [26]. A pasteurização e os cozimentos prolongados degradam a tiamina, que é termolábil [4]. O álcool merece atenção destacada. Reduza a absorção intestinal e os transportadores específicos de tiamina [19,20]. O vinho, pelo lugar que ocupa a mesa moderna, pede parágrafo próprio. Cada taça combina três esgotadores da vitamina numa só bebida. O álcool age pelos mecanismos acima descritos [19,20]. Os sulfitos, usados como conservantes no vinho, em frutas secas e em muitos alimentos industrializados, partem a molécula ao meio [4]. Os taninos, os mesmos polifenóis que dão a adstringência do vinho tinto, degradam-se quimicamente a B1 [27]. Duas taças diárias, hábitos considerados saudáveis em várias culturas, cobram tributo triplo à mesma vitamina. O próprio diabetes drena a vitamina. Diabéticos dos tipos 1 e 2 têm tiamina plasmática cerca de 75% menor que os controles, por perda renal aumentada e redução dos transportadores específicos [11,12,66]. E a metformina, o antidiabético mais prescrito do mundo, compete com a tiamina pelo mesmo transportador, o THTR-2 [21]. É o paradoxo silencioso: o remédio que trata o diabetes agrava a carência da vitamina que a própria doença já esgota. Do lado dos demais fármacos, a lista segue. Os diuréticos de alça, dos quais a furosemida (Lasix) é o exemplo mais conhecido, aumentam a perda renal de tiamina [23]. Os inibidores da bomba de prótons e o uso específico de antiácidos podem comprometer a absorção ao reduzir a acidez gástrica [4,22]. Há ainda um agressor invisível: o arsênico, metal que o arroz acumula quando cresce em solo ou água contaminada, situação frequente em diversas regiões produtoras do mundo [56,58]. Ele não derrota a tiamina. Faz pior. Bloqueia as mesmas enzimas que a B1 aciona e induz uma neuropatia que imita o próprio beribéri [56]. É o beribéri químico: uma vitamina presente, como enzimas paradas [56]. No Brasil, o arroz é a principal porta alimentar do metal [57]. Na Europa, a preocupação é tal que a União fixou limites legais para o arsênico no grão, mais rígidos ainda quando o arroz se destina às crianças [58]. Em doses habituais, o impacto sobre a tiamina segue em debate. Mas a exposição crônica soma-se aos demais esgotadores, e o arroz, prato diário de bilhões de pessoas, coloca o problema em escala planetária [57]. Somam-se a esse cenário as doenças e cirurgias digestivas. Nas doenças inflamatórias intestinais, como doença de Crohn e retocolite ulcerativa, a deficiência de tiamina é frequente, e a fadiga responde à reposição da vitamina [7,17]. A cirurgia bariátrica exclui a trajetória digestiva do segmento onde a tiamina é absorvida, criando risco de deficiência [24]. O estresse estressante eleva a demanda metabólica da vitamina [4,9]. O envelhecimento reduz a absorção intestinal e o aproveitamento celular da B1 [13]. E a polifarmácia dos idosos soma vários desses fatores ao mesmo tempo [13,22]. Referências 1. Bianconi E, Piovesan A, Facchin F, et al. An estimation of the number of cells in the human body. Ann Hum Biol. 2013;40(6):463-471. doi:10.3109/03014460.2013.807878 2. Yasuda R, Noji H, Kinosita K Jr, et al. F1-ATPase is a highly efficient molecular motor that rotates with discrete 120° steps. Cell. 1998;93(7):1117-1124. doi:10.1016/S0092-8674(00)81456-7 3. 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