sexta-feira, 22 de maio de 2026

D-RIBOSE

D-RIBOSE: O ELO PERDIDOA D-ribose, um sacarídeo com cinco átomos de carbono, é um dos componentes do ATP, a molécula que fornece energia ao corpo para todas as atividades. Sem a D-ribose, não haveria o ATP. Sem o ATP, não haveria energia. Tanto a CoQ10 como o suplemento nutricional L-carnitina ajudam a facilitar o processo pelo qual o corpo produz o ATP. Em termos metafóricos, eles atuam como pequenos elfos, transportando o material necessário para produzir o ATP às fábricas onde ele é feito, resultando numa produção mais eficaz dessa importante molécula de energia. Podese dizer que a CoQ10 e a L-carnitina funcionam como caminhões muito eficientes que transportam materiais de construção até as fábricas em que as coisas realmente são construídas, mas a D-ribose é na realidade um dos materiais de construção em si. Uma carência de D-ribose significa uma carência de ATP; e uma carência de ATP, especialmente no coração, é realmente uma péssima notícia. A D-ribose é sintetizada em cada célula no corpo, mas apenas devagar e com níveis variáveis, dependendo do tecido. Tecidos como os do fígado, do córtex das suprarrenais e do tecido adiposo produzem bastante D-ribose porque produzem compostos químicos usados para sintetizar ácidos graxos e esteroides, que, por sua vez, são usados para produzir hormônios. Mas as moléculas de D-ribose produzidas por esses tecidos são o contrário dos minutos acumulados de um mês para outro no seu telefone celular. Elas precisam ser usadas de imediato e não podem ser “transferidas” para outros tecidos que poderiam precisar delas, como, por exemplo, o coração. O coração, bem como os músculos esqueléticos e o cérebro, só consegue produzir a ribose suficiente para sua necessidade diária. Quando as células do coração, por exemplo, encontram um fator estressante, como a privação de oxigênio, elas não dispõem do mecanismo metabólico requerido para improvisar rapidinho um pouco da D-ribosetão necessária. Tecidos que estão sob estresse por não receberem sangue ou oxigênio suficientes não podem produzir com rapidez a D-ribose para repor a energia perdida. Quando os déficits no fluxo de sangue ou de oxigênio são crônicos – como nas doenças cardíacas –, os tecidos nunca conseguem produzir D-ribose na quantidade adequada e os níveis de energia celular ficam em esgotamento constante. A ligação da D-ribose com a função cardíaca foi descoberta pelo fisiologista Heinz-Gerd Zimmer, na Universidade de Munique. Em 1973, Zimmer relatou que corações quase sem energia se recuperavam mais depressa se a D-ribose fosse administrada antes ou imediatamente depois de uma isquemia (um fornecimento insuficiente de sangue para o coração, em geral decorrente de um bloqueio). Cinco anos depois, Zimmer demonstrou que os efeitos de esgotamento de energia de certos medicamentos usados para fazer o coração bater mais forte (chamados de agentes inotrópicos) podiam ser reduzidos em termos significativos se a Dribose fosse administrada junto com os medicamentos. A descoberta mais importante da pesquisa de Zimmer foi que a Dribose tem um papel enorme tanto na restauração da energia quanto no retorno da função cardíaca diastólica normal. (A disfunção diastólica é basicamente uma espécie de insuficiência cardíaca.) Em 1992, um estudo clínico realizado pelo grupo de Zimmer demonstrou que a administração de D-ribose a pacientes com doença arterial coronariana severa porém estável aumentava a capacidade de esses pacientes se exercitarem e postergava o surgimento de angina (dor no peito) moderada. Desde então, os benefícios da D-ribose vêm sendo relatados em casos de insuficiência cardíaca, recuperação de cirurgia cardíaca, restauração da energia a músculos esqueléticos estressados e controle da formação de radicais livres em tecidos que sofreram privação de oxigênio.

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